" É triste não ter amigos? Ainda mais triste é não ter inimigos! Porque quem não tem inimigos é sinal que não tem: nem talento que faça sombra, nem carácter que impressione, nem coragem para que o temam, nem honra contra qual murmurem, nem bens que lhe cobicem, nem coisa alguma que invejem... ".
Há dias atrás, encontrei este pequeno texto algures nos recônditos da web, e senti-me de imediato revista nele.
É talvez estranho dizer isto, mas sempre me vi rodeada de inimigos. Não gosto muito de utilizar esta palavra, porque acho o seu significado abrangente demais. Mas nenhuma melhor me ocorre.
Depois de uma breve visita ao dicionário, encontrei alguns sinónimos mais…como dizer… que menos me soem á amante inimiga da novela das oito…Poderia então usar, para melhor apelidar os meus inimigos, os “adversários”, os “não amigos”, os “hostis”, ou até os “nocivos” (gosto desta!).
Bem, ainda mais estranho que dizer que sempre me vi rodeada de “nocivos”, é dizer que estes me fazem crescer! Sim, mesmo muito estranho. Verdadeiramente estranho.
Só há pouco aprendi a lidar com os meus “nocivos”. Por razões que não lembram agora, ou melhor, lembram, mas ocupariam demasiado espaço no meu cérebro, a verdade é que lido extraordinariamente mal, mas extraordinariamente mesmo, com a rejeição. É certo que ninguém lidará bem, penso eu, e se houver por aí alguém que o faça, por favor contacte-me imediatamente e dê-me instruções de como desdobrar aquele nó tão cego na garganta que aparece quando me sinto apagadamente rejeitada.
Na verdade, sou uma perita em exagerar. Mas unicamente quando me vejo perante os meus sentimentos, normalmente os ruins, ok, eu confesso. E aí vou suportando tudo, com muito jeitinho e muita choradeira também, mas a rejeição não.
Agora melhorei, como se tivesse descoberto uma vacina milagrosa. Não curou totalmente a doença, mas diminuiu em 70% os efeitos catastróficos. E adivinhem, melhorei graças a um monte de “nocivos” que surgiram na minha vida. Mas um monte mesmo, de uma vez só! Vieram, atropelaram-me….e pronto, quando dei por mim, estava realmente num crítico estado de rejeição, rejeitando-me até a mim mesma, atropelando-me e magoando-me ainda mais, como se isso me fizesse entender que tinha afinal eu de errado.
Hoje sei, não tenho nada. Sou apenas dramática demais, principalmente naquelas ocasiões especialmente erradas. Porque se me rejeitam a 50, eu auto-rejeito-me depois a 100%.
Agora já me perdi, e já não sei se este texto é sobre os “nocivos”, ou sobre os meus problemas existenciais. Será certamente sobre a ligação dos dois.
Pois aqueles tais nocivos que me derrubaram um dia, continuam a fazer parte da minha vida. Não são agora de todo “nocivos”, pelo contrário. São já pessoas a quem sorrio e agradeço todos os dias (assim muito baixinho) por um dia não terem gostado muito de mim.FIZERAM-ME CRESCER! Deram-me o gozo de conhecer a derradeira rejeição, de a superar e de depois a transformar obrigatoriamente numa relação de cumplicidade.
Com eles aprendi que os inimigos são saudáveis!!! Ajudam a controlar tanto sentimento estranho…ajudam a aprender a dar luta, a conquistar…ajudam a que uma simples palavra cordial valha tanto, tanto esforço! Ajudam a que te sintas mal quando estás por baixo, mas depois que te sintas como nunca, quando estás no topo!
Por isso a todos os meus “nocivos”
Obrigada!